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Bom dia! Hoje é 05 de setembro de 2010
Página inicial >> Atuação Parlamentar >>Discursos
05/05/2010 - Lançamento da Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack

Sr. Presidente,
Sras. e Srs. Deputados,

lançamos hoje, com uma audiência pública, a Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack, que recebeu o apoio de quase 300 Deputados e Senadores.

Nossa Comissão Executiva, presidida por mim, conta com as participações da Senadora Rosalba Ciarlini e dos Deputados Sandes Júnior, Eduardo da Fonte e Sérgio Petecão.

O Excelentíssimo Ministro da Saúde José Gomes Temporão sabe da importância de se discutir e apoiar propostas emergenciais que impeçam o crescimento do uso do crack no Brasil e confirmou presença na audiência pública.

Para entendermos melhor esse alarmante problema de saúde pública, teremos sua descrição feita por ex-viciados e médicos especialistas.

Nosso movimento contra o crack já chamou a atenção do rapper Mv Bill, ativista cultural que produziu o documentário Falcão, Meninos do Tráfico. Mv Bill foi um dos pioneiros no alerta à sociedade brasileira para o crack, uma droga que, por suas características de preço e capacidade viciante, é muito mais perigosa que qualquer outra droga em circulação, legal ou ilegalmente. Mv Bill, infelizmente, não pode estar presente, mas nos mandou um vídeo no qual relata o que vê nas comunidades periféricas das grandes metrópoles brasileiras.

O crack, antes de ser uma droga, era um resíduo industrial, subproduto da fabricação da cocaína: uma borra repleta de amônia e ácido sulfúrico. Para aproveitar esse lixo, os traficantes tiveram a ideia de adicionar algum combustível que lhe permitisse ser fumado: querosene, gasolina ou solvente. Para aumentar a lucratividade, misturam o crack com a cal virgem.

A fumaça desse lixo é altamente tóxica, mas, ao mesmo tempo em que corrói os pulmões, causa uma euforia de alguns segundos - e vicia imediatamente. Em poucas semanas, os usuários agem como zumbis caminhando para o túmulo, desprovidos de saúde física e mental, obcecados apenas em conseguir mais doses do veneno.

O crack tem consequências horripilantes no campo da criminalidade, da prostituição infantil e da degradação humana. Estamos lidando com uma ameaça maior à saúde e à segurança pública do que todas as outras drogas reunidas, pois o crack não é caro como a cocaína, é mais barato do que a cachaça; mas, ao contrário de outras drogas baratas, como a cachaça ou a maconha, a dependência física causada por nosso inimigo é fortíssima.

O crack virou uma epidemia de rápido crescimento, e combatê-la é a razão da existência dessa Frente Parlamentar, que precisará de toda ajuda possível, governamental ou não. O problema é grave, e sua solução exige o empenho coordenado de associações civis, igrejas, partidos, sindicatos, lojistas, enfim, de toda a sociedade.

Enquanto não revertermos o jogo, o mal continua a se instalar de forma avassaladora. Aquela que era uma droga de mendigos, restrita aos becos das grandes metrópoles, hoje se dissemina entre a classe média e alta, nas zonas rurais e até entre índios. Adultos, jovens, crianças, idosos, não suficientemente alertados sobre os perigos do crack, caem em sua teia. Uma minoria sobrevive, geralmente com sequelas.

Senhoras e senhores, é importante ressaltar que o crack não pode ser encarado como mais uma das chamadas "drogas recreativas", como o álcool; ele é a entrada para um labirinto que leva à morte, ao crime, à prostituição, ao desespero, à tristeza e à desgraça não só os usuários, como seus familiares e toda a sociedade brasileira.

Estamos diante de uma epidemia mais grave que qualquer outra, contra a qual o Estado demorou a se mobilizar. Hoje, a tragédia já está instalada, mas não temos nem mesmo estatísticas oficiais sobre a sua extensão, embora se estime que o crack mate 2 vezes mais que os acidentes automobilísticos, e que grande parte dos óbitos dos brasileiros com idade entre 12 a 25 anos seja causada por essa droga.

Precisamos colher informações confiáveis, alertar a sociedade. A prevenção, a educação e a informação são sempre melhores, mais eficientes e baratas que a repressão ou o tratamento médico. Apesar da imensidão do problema e do atraso de nossa reação, estamos dispostos a lutar. Buscamos, com a valiosa ajuda de todos os senhores, a melhor estratégia.

Valemo-nos de instrumentos como a audiência pública que realizaremos a partir das 14h30min no Plenário 2 desta Câmara dos Deputados.

Sintam-se todos convidados a participar desse importante debate.

Muito obrigado.

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