Sr. Presidente,
Sras. e Srs. Deputados,
o consumo de crack está se transformando em epidemia nas cidades brasileiras. A nova droga se dissemina rapidamente e já é um gravíssimo problema para a saúde e segurança pública em nosso País.
O baixo preço e o acesso fácil à droga facilitam sua propagação em todas as classes sociais, com crescente ampliação da rede criminosa que se forma em volta do tráfico.
E o que mais tem chocado a opinião pública é o número cada vez maior de jovens e crianças contaminadas pelo vício. Encontrar crianças de 12 ou 13 anos, até menos, fumando a céu aberto está se transformando em rotina em muitas cidades, e não apenas nas Capitais.
Para lidar com essa questão urgente, instalamos esta semana a Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack, iniciativa que tem sido recebida com entusiasmo nesta Casa e no Senado Federal. Registramos 239 assinaturas de adesão.
Criada sob minha coordenação, a Frente conta a Senadora Rosalba Ciarlini e os Deputados Sandes Júnior, Eduardo da Fonte e Sérgio Petecão na Comissão Executiva. Já aprovamos o Estatuto e elegemos como Presidente de Honra o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão.
Nossa expectativa é a de que, com isso, possamos sensibilizar o Congresso Nacional para que se engaje decisivamente na luta contra o consumo de drogas, especialmente do crack.
Recentemente, imagens divulgadas pelo programa Fantástico (28 de março último), da Rede Globo, mostraram cenas chocantes do consumo de crack em Brasília, aqui bem perto da Praça dos Três Poderes. Várias pessoas estavam envolvidas na situação, inclusive crianças e uma mulher grávida. Além do consumo, o transporte e distribuição das "pedras" da droga mostraram que o tráfico já se estabeleceu nas imediações do Palácio do Planalto, do Palácio da Justiça e da sede de Congresso Nacional.
As cenas ocorrem diariamente em muitas cidades brasileiras, mas o fato de terem sido registradas nas cercanias dos centros de decisão política do País é um alerta para a situação de impotência que nos espera se não agirmos imediatamente.
De acordo com o Secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, João Monteiro Neto, os fornecedores do tráfico em Brasília montaram laboratórios nas cidades-satélites, de onde distribuem a produção em pequenas quantidades para traficantes de pequeno porte, que, por sua, vez passam o material adiante para os chamados "formiguinhas".
O responsável pela segurança pública da Capital afirma que a situação é crítica e está a ponto de escapar completamente ao controle das autoridades.
A mesma opinião é compartilhada pelo Secretário de Saúde do Distrito Federal, Joaquim Barros, que aponta o início de uma epidemia do consumo de crack. Segundo ele, o aumento de prisões e apreensões da droga vem sendo acompanhado do aumento do consumo.
Um número alarmante indica que, enquanto no ano passado, apenas 0,2% dos dependentes químicos atendidos na rede pública de saúde usavam crack, nos primeiros 2 meses deste ano o percentual saltou para 27%.
Todas as análises e investigações do problema mostram que o consumo do crack é uma ameaça letal, que está invadindo rapidamente a sociedade brasileira. As crianças estão indefesas e serão as primeiras grandes vítimas dessa catástrofe em andamento.
Espero que com a criação da Frente Parlamentar de Combate ao Crack possamos dar um passo decisivo nessa luta para a qual já saímos atrasados.
Obrigado.